26 de junho de 2021

Algumas notas sobre a imigração japonesa...

 

Anualmente, comemoramos no dia 18 de junho o dia da Imigração Japonesa ao Brasil.

E como sansei (terceira geração), sempre ouvi desde pequena as histórias dos meus avós sobre a vinda ao Brasil -- a promessa de riqueza, a sofrida viagem de navio e, principalmente, sobre o choque cultural que enfrentaram ao chegar por aqui. Comida, língua e religião eram apenas alguns dos obstáculos que eles enfrentaram.

A maioria daqueles que vieram pra cá (incluindo meus avós) tinha um objetivo: trabalhar, enriquecer e retornar à sua terra natal. E, como tinham apenas uns aos outros, criaram as chamadas “colônias.” Ocorre que, devido a diversas razões (dentre elas acordos descumpridos, mentiras, decepções), os imigrantes acabaram estendendo a sua estadia pelo país.

Com o passar dos anos e das novas gerações, os imigrantes se estabeleceram por aqui. A comida foi se adaptando, as tradições se mesclando e a língua foi sendo substituída. A necessidade (ou até mesmo vontade) de voltar ao Japão foram deixados em segundo plano.

 

E é a partir desse momento que muitos acreditam que o imigrante japonês deixou de ser parte de uma “colônia” e passou a ser simplesmente um cidadão brasileiro. Afinal, o passaporte das novas gerações passou a ser o brasileiro, recebemos o direito de votar em nossos representantes, e procuramos prosperar por aqui.

 

Mas porque aquela inquietação que comentei em meu último post no Instagram continua? Aqui no Brasil, sou considerada “japonesa” e, no Japão, onde morei parte da minha infância e retornei agora em 2019, sou considerada “burajirujin” (isto é, brasileira). Afinal, qual é o meu lugar?

 

E, na minha humilde opinião (posso estar errada; afinal não sou estudiosa no assunto), somos todos “simplesmente” brasileiros, independente dos nossos traços asiáticos. Os costumes e tradições asiáticas (incluindo da nova onda de imigrantes, como os coreanos e os chineses) foram incorporados e adaptados, criando algo que encontramos somente por aqui.

 

Incorporamos a influência nipo-brasileira em diversas áreas: nas artes plásticas Tomie Ohtake, na cerâmica Kimi Nii, no cinema Tizuka Yamasaki, dentre tantos outros.

 

O que quero dizer com tudo isso? Sou sim brasileira e nunca precisarei “voltar para o meu país”. Os meus desenhos, principalmente aqueles com ilustrações de mulheres, procuram retratar um rosto brasileiro com traços asiáticos pouco representados em nosso dia-a-dia. A minha esperança é que não só o rosto e a experiência asiática, mas também a negra, a indígena, etc, sejam cada vez mais “comuns” e menos “estrangeiras”.

 

Por fim, em comemoração à coragem dos meus avós de atravessar o globo por mais de 50 dias em um navio, para nos proporcionar um futuro melhor, estou colocando à disposição na minha loja uma ilustração que procura expressar essas aspirações dos imigrantes - desde as ondas do mar até a esperança de momentos floridos por aqui (dê uma passadinha na seção de produtos).

 

Apenas uma curiosidade: você pode notar o nome da obra se chama “daruma”, que é muito comum na cultura japonesa. Ao ser presenteado com um “daruma,” você preenche somente um dos olhos e faz um pedido. Quando ele for realizado, o segundo olho pode ser pintado em forma de agradecimento.

 

Acredito que meus avós preencheram o primeiro olho esperando tempos melhores. E espero que hoje eles tenham pintado o segundo.

 
 

 

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22 de junho de 2021

Uma breve história...

Hoje, gostaria de contar um pouco da inspiração da arte ORIGAMI.


Meus pais e eu nos mudamos para Tóquio quando eu tinha 1 ano de idade e ficamos lá por quase 4 anos. Fui alfabetizada em japonês e o pouco contato que tive com o português foi em casa com meus pais. Ao voltar para o Brasil, enfrentei um longo processo de adaptação ao país e à língua. Acredito que foi aqui que surgiu aquela inquietude sobre a identidade nipo-brasileira, mas vamos deixar essa conversa para outra hora...



 

No fim de 2019, um pouco antes da pandemia, pude voltar ao Japão, desta vez com o meu marido.
Eu sempre tive vontade de voltar para o Japão, mas nunca tinha tido a oportunidade.
Chegando lá, foi uma experiência muito, muito mágica, quase um sonho :)

 

Mesmo tudo parecendo NOVO, muitas partes eram MUITO familiares. E, sim, me emocionei demais.

 



 

Além de lembrar rapidamente do nihongo, chorei ao sentir o cheiro do parquinho que brincava toda semana com meus pais, me emocionei quando vi as luzes das máquinas de bebidas e apreciei cada comida, que sempre me tinha um gosto familiar

Aquele lugar fez parte da minha história. Mesmo eu não lembrando objetivamente.

Durante uma caminhada ao famoso Templo de Asakusa, encontrei uma pequena loja de um senhor. Uma caixinha me chamou a atenção: quando a abri, haviam pequenas bonecas que representavam o dia da Menina. Foi um momento de surpresa muito marcante para mim. :)

Em seguida, voltamos à Singapura. E, logo, resolvi colocar essa experiência em uma pintura. Foi daí que surgiu o ORIGAMI. Para mim, a volta ao Japão foi o encontro da Camila de 4 anos e a Camila atual. Somos realmente feitos de diversas camadas e experiências. E esse foi o resultado. :)
 

 

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10 de junho de 2021

Desenhos para colorir!

Durante os últimos meses, passamos (e estamos passando) por tempos bem difíceis. Foi com esse intuito que lancei no meu Instagram uma série de desenhos para que as pessoas pudessem pintar/colorir e deixar de lado (mesmo que por um momento) todo aquele estresse e tristeza (a pintura sempre foi um escape para mim!).

Aquela que foi uma idéia simples no início, me deixou extremamente feliz (e surpresa!). Muitos de vocês fizeram o download dos desenhos e me deixaram impressionada com os resultados. É com esse propósito que estou colocando novamente alguns desenhos à disposição -- basta preencher este link e informar o seu email. Em seguida, enviaremos um link para que você possa realizar o download dos documentos.

Note que o email será utilizado apenas para esse fim, seguindo a nossa política de privacidade. Caso você queira receber novidades sobre os nossos produtos, basta clicar na caixa do formulário.

Não se esqueçam de me mandar ou postar no Instagram me "taggeando" (@camilagondo) o resultado dos desenhos. Adoro ver a releitura de vocês para as artes!

Por fim, espero que esses desenhos tragam um pouco de tranquilidade em momentos tão difíceis. Lembrando que, se puderem, fiquem em casa! Protejam-se, vacinem-se e usem máscara.

Mais uma vez o link.

Beijos, Camila

 

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31 de maio de 2021

Sketchbook pautado, sem pauta ou pontilhado - qual é o melhor pra você?

Não há uma resposta certa e um modelo que agrade a todos. Por isso, a nossa última coleção vem com todas as opções. :)

Se você ainda está em dúvida, aqui vão algumas dicas:

Os cadernos pontilhados te ajudam a ter mais noção sobre meio e espaço. São perfeitos para aqueles que gostam de bullet journals. O bom é que os pontos dificilmente aparecem e não atrapalham a estética.

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Os cadernos pautados são muito fáceis de usar, pois todos estamos familiarizados com eles desde os tempos de escola. Ele é perfeito para textos, tais como um diário.

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Os cadernos sem pauta (ou lisos) não têm segredos. Eles são perfeitos para desenhos, colagens, escrita... basta soltar a imaginação.

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E aí, qual é o seu preferido?